A análise a seguir é resultado da leitura e discussão de dois artigos — “Paradigmas científicos e questões éticas em pesquisas envolvendo seres humanos na Biblioteconomia e na Ciência da Informação” e “A trajetória do pensamento ocidental” — juntamente com a reflexão sobre o filme “O Físico“. Esse material foi trabalhado durante as aulas dos dias 13 e 14 de março de 2026 e compõe uma atividade reflexiva do Mestrado em Ensino nas Ciências da Saúde, da Faculdade Pequeno Príncipe, ao qual tenho a honra de ser Mestrando da turma 2026-2028.
A ciência não é algo pronto
A partir das aulas dos dias 13 e 14 de março de 2026, das leituras propostas e também da análise do filme O Físico, foi possível perceber que “a ciência não é uma coisa pronta, fixa e imutável“. Pelo contrário, ela vai se transformando ao longo do tempo, conforme mudam a sociedade, a cultura, a história e também os valores éticos de cada época. Nesse processo, os paradigmas têm um papel muito importante, porque eles funcionam como modelos de pensamento que orientam a forma como o ser humano interpreta o mundo e produz conhecimento.
Como os paradigmas mudam
Pelos textos estudados e as discursões em grupo com os colegas da turma, entendo que a ciência não evolui sempre de forma calma e contínua. Em muitos momentos, ela passa por rupturas. Isso acontece quando um modo antigo de pensar já não consegue mais explicar os problemas ou responder às novas necessidades da realidade. Foi justamente isso que Thomas Kuhn discutiu ao falar sobre paradigmas. Para ele, “os paradigmas são modelos aceitos por uma comunidade científica durante certo tempo, mas que podem ser substituidos quando deixam de fazer sentido diante de novas perguntas e novos desafios“.
A construção do pensamento ao longo da história
Essa ideia também aparece no texto sobre a Trajetória do Pensamento Ocidental, que mostra como o conhecimento humano foi sendo transformado ao longo do tempo. Em certos períodos, predominavam explicações mitológicas e religiosas. Em outros, a razão e a observação passaram a ocupar um espaço maior. Isso mostra que o ser humano sempre esteve em busca de respostas mais confiáveis e mais amplas sobre a realidade. Assim, os paradigmas não organizam só o conhecimento, mas também refletem a visão de mundo dominante em cada época.
O filme “O Físico” e a quebra de antigos padrões
Quando relacionamos essas leituras com o filme “O Físico”, a discussão sobre paradigmas fica ainda mais clara. O filme mostra uma época em que a medicina era muito limitada por crenças religiosas, medo e várias proibições. O estudo do corpo humano era cercado de restrições, e a dissecação, por exemplo, era vista como algo proibido. Isso dificultava bastante o avanço do conhecimento médico.
Nesse contexto, o personagem principal representava alguém que não aceitava passivamente aquilo que já estava imposto. Ele busca respostas, quer entender mais e tenta romper com as limitações do seu tempo. Isso mostra que muitas vezes o avanço do conhecimento depende da coragem de questionar aquilo que parecia certo ou intocável.
O avanço da ciência também precisa de limites
Uma das reflexões mais importantes que surgem a partir do filme e das leituras é que: questionar paradigmas é necessário, mas isso não significa que todo avanço científico seja automaticamente positivo. A própria história da ciência mostra situações muito graves em que seres humanos foram tratados apenas como objeto de pesquisa, sem respeito, dignidade ou proteção.
Por isso, com o passar do tempo, surgiu a necessidade de estabelecer “limites éticos” para a produção do conhecimento. Esse ponto foi muito importante nas leituras, porque mostra que a ciência não deve estar voltada apenas para descobrir e produzir resultados, mas também para respeitar a vida humana.
Ética e responsabilidade no fazer científico
Documentos como o Código de Nuremberg, a Declaração de Helsinque e a Resolução 466/2012, no Brasil, mostram essa preocupação com a proteção das pessoas envolvidas em pesquisas. Isso deixa claro que não basta produzir conhecimento. Também é preciso pensar em como esse conhecimento está sendo construído, quais métodos estão sendo usados e quais impactos isso pode trazer para a vida das pessoas.
Hoje, dá para perceber que existe uma mudança importante na forma de entender a ciência. Antes, parecia que o mais importante era apenas o progresso, a técnica e os resultados. Atualmente, existe uma preocupação maior com a dimensão humana, com os direitos dos participantes de pesquisa e com a responsabilidade ética dos pesquisadores. Isso mostra que os paradigmas também mudam conforme a sociedade muda.
O papel do estudante e do futuro profissional
Essa reflexão também faz pensar sobre o nosso papel como estudantes e futuros profissionais. O filme mostra um personagem que buscou aprender além do que era permitido ou esperado, e isso serve como exemplo. Questionar, pensar, analisar e não aceitar tudo de forma automática é algo muito importante. Mas esse questionamento precisa andar junto com responsabilidade, respeito e consciência ética.
O que ficou como principal aprendizado
Diante de tudo isso, o principal aprendizado das aulas, dos textos e do filme foi entender que os paradigmas influenciam diretamente a forma como a ciência é construída e como a sociedade compreende a verdade em cada momento histórico. Eles não são definitivos. Podem ser mudados, superados e revistos quando deixam de responder ao que a realidade exige.
Refletir sobre paradigmas, então, não é apenas discutir teoria. É também pensar sobre que tipo de ciência queremos construir e que valores queremos colocar nesse processo. No fim, fica a ideia de que “a ciência precisa avançar, sim, mas sem perder de vista o ser humano“. Porque conhecimento sem ética pode até gerar resultados, mas dificilmente gera um progresso verdadeiro.
